TEJ - Online

Monday, October 30, 2006

A polémica do "citizen journalism"

"Citizen journalists are the people formerly known as the audience" - by Jay Rosen

"Every citizen is a reporter" in Oh!MyNews

"Ninguém pode competir com as pessoas que estão a viver e a sofrer a guerra, o terror ou uma catástrofe, filmando, tirando fotografias e publicando tes temunhos" - José Luís Orihuela

Não há dúvidas: a tecnologia veio para ficar e revolucionar o Mundo diariamente. O computador foi, indubitavelmente, uma das invenções mais importantes até hoje. Todavia, quando apareceu a Internet, o planeta foi transformado numa "aldeia global" e modificou-se radical e impreterivelmente. A Web revolucionou as nossas vidas até ao mais ínfimo pormenor. Ela é o grande moto
r do progresso cultural, político, económico, etc, na sociedade contemporânea. Impôs, como nenhuma outra invenção tinha feito, novas regras e alterou substancialmente a malha social, nomeadamente as relações interpessoais. Mostrou-se, ainda, como uma nova plataforma para a difusão de conteúdos de variadas instituições sociais, e, sem dúvida, transformou o Mundo acelerado do jornalismo.

Neste sentido, um novo tipo de jornalismo ganhou espaço na Internet - o ciberjornalismo. Este conceito engloba o jornalismo produzido para publicações na Web por profissionais destacados para trabalhar, em exclusivo, nessas mesmas publicações, ou seja, um jornalismo "de e para a rede". Com efeito, houve uma proliferação de publicações online que conduziu ao aparecimento do ciberjornalismo. A componente tecnológica é um factor determinante na sua definição operacional, mas a forma como o jornalista desenvolve o seu trabalho também o distancia dos outros meios de comunicação social - os tradicionais.
O desenvolvimento das ferramentas da profissão de jornalista e o aumento da capacidade de literacia da audiência obrigaram o ciberjornalista a tomar decisões importantes como: qual o formato ou formatos de media que melhor se adaptam a uma determinada estória, isto é, a componente multimédia; considerar opções que permitam ao público responder, interagir ou mesmo personalizar certas estórias, ou seja, a interactividade; e pensar nas maneiras de relacionar a estória com outras estórias, arquivos, e outros recursos através de hiperligações - hipertexto.

Tendo em vista três dimensões-chave - profundidade, alcance e interacção-, o ciberjornalista não se pode esquecer que, antes de mais, é um jornalista, ou seja, tem de seguir as guidelines escolhidas para a profissão como um todo. A Internet afirma-se como um novo medium, marcado pela convergência dos outros tradicionais. Por este motivo, o jornalista tem de seguir a ética e o código deontológico adjacente à profissão. Com efeito, a Internet não só abarca todas as capacidades dos media tradicionais (texto, imagens, gráficos, animação, infografias, áudio, vídeo, distribuição em tempo real), como também oferece novas capacidades que devem ser usadas pelo ciberjornalista o mais possível. Entre essas possibilidades que a Internet dá ao profissional estão a interactividade, acesso on-demand, controlo por parte do utilizador e personalização. Estes desenvolvimentos estão a transformar a própria natureza do conteúdo das notícias e da narrativa. Com efeito, dado a Internet ser um medium activo, em vez de passivo, o envolvimento passa pelo recurso à "reportagem imersiva", uma forma de apresentar e interagir com as estórias num ambiente tridimensional. A audiência passa a ter um papel ainda mais determinante e os ciberjornalistas, ao elebaborarem uma estória, têm de ter em conta que na web estão leitores com perfis e exigências muito específicas e distintas, tendo de satisfazer uma grande variedade de audiências de diversas maneiras.

O ciberjornalismo alarga os limites do jornalismo dos media tradicionais. Mais do que a recolha de noticias, análise e reportagem, trata-se de ir para além das notícias, em que a opinião do público tem um peso muito grande. De facto, Hall considera que o ciberjornalismo não se restringe a disponibilizar notícias e comentários na Internet, que, acima de tudo, orienta os consumidores na imensidão de informação online proveniente de diversas fontes, no medium mais anárquico que é a Internet.

Este tipo de jornalista tem, acima de tudo, de ter formação para que se possa afirmar no ciberespaço. É imprescindível compreender a natureza interactiva dos media digitais em rede e aprender novas maneiras de fazer uma narrativa jornalística, o que implica o domínio da prática de pesquisa na Web, de transferência electrónica de ficheiros, o saber construir e manter sites próprios com recurso a programas específicos, como o Dreamweaver, conhecimentos sobre grafismo e webdesign, utilização de streaming media, manipulação de bases de dados e gestão de fora online. O hipermédia é a grande revolução e, por isso, Pavlik afirma que esta característica do ciberjornalismo representa "uma nova forma de jornalismo que coloca as estórias num contexto histórico, político e cultural muito mais rico". Rebecca Blood também sublinha o hipertexto como um elemento fundamental para a prática de weblogging, isto porque permite a quem os escreve resumir e contextualizar histórias complexas, com links para inúmeras fontes.

Paralelamente ao ciberjornalismo, é inegável o crescimento de websites e weblogs feitos por cidadãos. Expressões como "citizen journalism", "grassroots journalism", "jornalismo participativo", "jornalismo colaborativo" ou "jornalimo open source" referem-se todas a esse tipo de actividade no mundo virtual. O "jornalismo-cidadão" é, assim, qualquer forma de conteúdo produzido e divulgado sobretudo através das novas tecnologias (Internet, telemóveis, PDA's...). Bowman e Willis consideram que é "o acto de os cidadãos terem um papel activo no processo de recolha, reportagem, análise e disseminação de notícias e informação". Estes autores admitem, todavia, que os efeitos do movimento "citizen journalism" são difíceis de prever. O seu objectivo inicial era fornecer informações independentes, fiáveis, rigorosas, de grande alcance e relevantes que uma democracia requer. No entanto, alguns jornalistas interpretaram o "jornalismo-cidadão" como uma "imitação barata" de jornalismo, uma ofensa àqueles que estudam e seguem toda uma deontologia. A ideia que se tornou consensual nos seus primórdios no mundo jornalístico era, de facto, que qualquer pessoa se podia tornar instantaneamente um jornalista. Começou, então, por ser uma terrível afronta aos profissionais do meio e um centro de polémica.

Importa, também, perceber as causas que levaram ao seu surgimento. O jornalismo feito por cidadãos emergiu após as eleições presidenciais dos EUA, em 1988, como contraponto ao crescente clima de desconfiança em relação aos media noticiosos e à actividade política, ou seja, contra a visão monolítica da sociedade, imposta pelos mass media.

Gradualmente, a participação da audiência nos media noticiosos mainstream mostrou-se como valiosa, visto que os cidadãos podem registar, ser testemunhas, vender fotos de acontecimentos que presenciam, como acidentes ou atentados. O repórter, como não pode estar sempre no local onde sucede algo digno de ser difundido, não tem a mesma capacidade de apresentar material para a sua peça.

A verdade é que os sites criados a partir de conteúdos colocados pelos utilizadores estão a ganhar terreno e a ser cada vez mais populares. As opiniões continuam a ser contraditórias, e com argumentos distintos. Teóricos como Dan Gillmor, Jay Rosen, Rebecca Blood, Shayne Bowman e Chris Willis, José Luís Orihuela, J.D. Lasica aprofundaram o "jornalismo participativo", escreveram artigos sobre isso e deram palestras que demonstram uma certa preocupação em esclarecer este novo tipo de comunicação social.

A grande transformação é que com o avanço tecnológico em várias áreas, o cidadão comum pode tirar fotos, fazer vídeos ou gravar ficheiros de áudio e pô-los em blogs e websites a grande velocidade ("The average person can take some snapshots, or videos or audios, or whatever, and put them up in blogs, or websites very quickly" – Dan Gillmor). Este escritor, que publicou o livro “We the Media : Grassroots Journalism By the People, For the People”, em 2004, distingue, ainda, blogues de jornalismo-cidadão, afirmando que estes dois não estão sequer relacionados, isto porque enquanto os dois podem ser feitos por cidadãos, os blogues não têm os mesmos métodos e processos inerentes ao que se designa Jornalismo.

Rebecca Blood estudou aprofundadamente as questões relacionadas com os weblogs, os instrumentos de publicação mais usados. Na sua opinião, a não ser que se compreenda a diferença entre reportagem feita por amadores e publicação pessoal online, e se reconheça os blogues simplesmente como uma forma que essas actividades podem ter, não estamos completamente capazes de compreender as implicações que eles têm para a cultura, o jornalismo e, num plano mais amplo, para a sociedade. Os weblogs, sites actualizados frequentemente com posts, são softwares de uma fácil usabilidade e daí que tenham cada vez mais popularidade. Rebecca Blood afirma que nem todos os weblogs, apesar da sua força inegável, não podem ser considerados jornalismo. Os blogues mantidos por organizações noticiosas respeitadas podem ser qualificados jornalismo se manterem os mesmo padões, regras e política editorial da organização a que pertencem. No entanto, um weblog escrito por um jornalista não o classifica necessariamente como Jornalismo, pela mesma razão que um romance escrito por um jornalista não o torna romancista: é a prática que define quem pratica. Na opinião de Rebecca Blood, os repórteres tendem a procurar informações em apenas algumas fontes recorrentes, mesmo quando fazem uma reportagem sobre histórias complexas. Nesse sentido, os weblogs escritos, muitas vezes, por pessoas que trabalham nos ramos (sobre os quais as reportagens recaem) têm um conhecimento muito mais profundo e valioso sobre o assunto em causa.
Assim como o editor de um jornal escolhe quais as melhores histórias para difundir, o editor dum blogue escolhe quais as histórias que se devem relacionar com uma principal. Mas, na perspectiva de Rebecca Blood, os bloggers nunca estão numa posição para determinar que eventos é que devem ser notícia. Daí que não possam ser uma forma de jornalismo.

Todavia, talvez a adopção de blogues seja a primeira vaga numa era de publicação pessoal online. Provavelmente, a grande razão que leva milhares de amadores a produzir weblogs é que é um meio fácil de utilizar, com ferramentas que produzem um formato de alguma maneira uniforme. Não se pode negar que os blogues se tornaram a escolha principal para a publicação online. É neste sentido que José Luís Orihuela, professor da Universidade de Navarra, considera que uma das grandes vantagens deste meio de comunicação é a possibilidade de se adaptar a todo o tipo de formato e de linguagens (texto, imagem e áudio).

A par do crescimento voraz dos weblogs, desenvolvem-se, também, websites independentes, feitos por cidadãos. O Cit-J (abreviatura já dada pelos americanos para o movimento do “Citizen Journalism”) está na moda nos EUA. No entanto, a sua explosão foi na Ásia, mais precisamente na Coreia do Sul, com o Oh!MyNews, um site de notícias que existe há cinco anos e onde apenas 20% do conteúdo é produzido pelos 41 jornalistas da redacção. A maioria é escrito por cerca de 10 mil colaboradores (inclusive alguns na América Latina e na Europa), que recebem módicas quantias por isso. Foi esse jornalismo-participativo que impediu uma fraude na eleição no país e vem deixando de cabelo em pé os políticos locais. O Oh!MyNews é, assim, um dos websites de jornalismo-cidadão mais famosos, no qual os colaboradores postam artigos sobre tudo e mais alguma coisa, desde aniversários a eventos políticos. Estes “cidadãos-jornalistas” publicam cerca de 200 artigos por dia e têm cerca de um milhão de leitores diariamente. Uma forma de reportagem amadora, mas que também não é um blogue, que não pode ser ignorada. Aos poucos, na Europa e nos EUA, pequenas publicações e sites têm testado a fórmula, de forma a trazer os leitores de volta para seus braços. O guru dos bloggers, Dan Gilmor, é um dos fervorosos defensores do modelo, assim como Jay Rosen, apesar das dezenas de críticos que já têm opiniões formadas. Questionam, assim, a capacidade desses cidadãos de lidar com a apuração e começam a apontar erros de informação que se multiplicam pela Internet. A função de gatekeeper, um dos conceitos mais importantes no jornalismo, está a ser posta de lado nestes sites e a credibilidade de um website como, por exemplo, o Digg, não pode ser equivalente à de um meio de comunicação tradicional. Nestes websites, tudo pode lá entrar, os editores são os utilizadores que não têm formação jornalística, são um grupo viciado, e podem-se organizar em grupos e lobbys para promover determinada notícia/visão de um acontecimento. O conceito por detrás do Oh!MyNews é "every citizen is a reporter", uma espécie de slogan bem polémico.

Oh Yeon-Ho, criador do Oh!MyNews, confessou, em entrevista: “I had confidence that citizen participation in journalism was something that citizens currently desired. But I could not imagine that the fire would spring into a blaze in such a short time.”
O Reporter.co.za é outro caso de sucesso, com o lema “For the People, By the People”, à semelhança do website coreano.

J.D. Lasica, ciberjornalista e adepto de blogues, realça a importância da nova paleta do cibernauta: fotografias, vídeos e áudio. Não foi há muito tempo que os jornais online descobriram o interesse do cidadão em tornar-se parte das "conversas" dos media. Hoje em dia, qualquer pessoa pode contribuir para enriquecer um website noticioso, principalmente a nível da multimedialidade. À semelhança do provérbio "Se não podes vencer o teu inimigo, junta-te a ele", as organizações de notícias possibilitaram que os cidadãos tivessem um papel mais activo, de maneira a não perderem a sua importância no mundo do jornalismo.
J.D. Lasica afirma: "Citizen journalism is not the future, it's the present". Durante algum tempo, os leitores online contribuiram com fotografias de grandes acontecimentos como o 11 de Setembro ou os ataques em Londres. Essas galerias compostas por imagens recolhidas por cidadãos estão a tornar-se centrais em vários sites noticiosos, e vídeos e ficheiros áudio também não estão a ficar para trás. Segundo Lasica, neste processo, milhares de fotógrafos amadores, entre outros, estão a dar um outro sabor às notícias e a transformar o jornalismo em algo mais informal, espirituoso e baseado na comunidade. Apesar da inegável importância do material fornecido pelos cidadãos, não se pode considerar isso jornalismo.

Jay Rosen, professor de jornalismo da Universidade de Nova Iorque, organizou várias campanhas para que a imprensa interaja activamente com o público, em fortalecer a cidadania, desenvolver o debate político e revivificar a vida pública. Rosen tem o seu próprio weblog chamado Pressthink, que se concentra naquilo o que acontece no jornalismo na era da Internet. É de salientar que ganhou o prémio "Reporters without Borders Freedom Blog" em 2005.
O advento da Web deslocou a discussão do jornalismo público para o "citizen journalism" e aumentou o medo e a possibilidade de a blogosfera tornar a imprensa cada vez mais irrelevante. Jay Rosen não encara isto como uma ameaça, mas adverte que os jornalistas precisam de trabalhar com bloggers para criarem uma nova forma de jornalismo: Open Source Journalism. A tese de Rosen é que enquanto a imprensa teve um papel democrático importante, ajudando o público a formar a sua própria opinião, o que foi uma tarefa complicada, os jornalistas tinham de continuar a redescobrir como formar essa opinião. Em 1999, Jay Rosen editou um livro intitulado "What Are Journalists For?". Para este professor, o problema é que enquanto a Internet aparentemente dá poder ao público para fazer reportagens, a realidade é que o mundo, particularmente as suas instituições sociais e políticas, é demasiado denso e complicado para que o cidadão comum o possa compreender. Por muito revolucionária e democrática que a Internet seja, continuamos a precisar de jornalistas profissionais para interpretar o mundo e explicar-nos os acontecimentos. A imprensa tem de se tornar ainda mais interactiva, seguindo o modelo de "open-source" do mundo software e os bloggers têm de provar que conseguem ser tão eficazes como a imprensa quando se trata de procurar novas histórias como foi demonstrado em Dezembro de 2003, quando Doug McGill trouxe ao mundo a notícia de que na Etiópia avançava uma onda de genocídio. De acordo com este autor, os jornalistas têm de enfrentar este desafio à sua autoridade, numa altura em que o modelo tradicional de jornais perde pontos. A Internet está a baixar os custos da informação noticiosa e a remover cada vez mais as barreiras ao seu acesso. A World Wide Web é um canal de partilha livre de conhecimentos e informação. No entanto, os jornalistas são necessários para a interpretação e desconstrução da realidade, tendo em vista a construção de uma estória.

Dan Gillmor é um dos grandes estudiosos deste fenómeno emergente que traz adjacente uma profunda mudança na foram como os jornalistas produzem informação e os consumidores a recebem. Estes têm de aprender como se podem tornar também produtores de notícias, através das novas tecnologias. Os "newsmakers" têm de se adaptar a novas regras e enfrentar um desafio à sua profissão. Uma das frases mais pertinentes de Gillmor é: "My readers know more than I do, and that's a good thing."

Sydney Morning Herald, editor e a blogger Julie Robotham minimizam o poder do jornalismo feito por cidadãos: "citizen journalism is a "drop in the ocean compared to the concentrated power of massive global media enterprises".
A CNN já permitiu o desenvolvimento do jornalismo-participativo, através do CNN Exchange, um site onde os cibernautas são convidados a enviar vídeos e áudios sobre notícias da actualidade. A tendência é forte em todo o mundo. Por exemplo, no Brasil o Globo - é o primeiro jornal a inovar e a adoptar o jornalismo-participativo, na sua versão online. Qualquer usuário pode, deste modo, enviar material para ser publicado na secção "Eu, Repórter". Em Portugal, na Internet, há cada vez mais cidadãos comuns a (querer) intervir no processo jornalístico, sobretudo nas fases de redacção e difusão, mas agora cada vez mais nas fases de recolha de informação e de edição. Os blogues alargaram o debate e trouxeram a personalização, rompendo com a velha comunicação de massas.

Na minha opinião, os editores do site coreano, que dizem que todo o cidadão é um jornalista, estão equivocados, mas não por ter medo que o jornalismo venha a desaparecer. Penso, sim, que todo o cidadão é um leitor em potencial, que pode ajudar os profissionais a desempenhar melhor o seu papel de filtro, de gatekeepers da informação. A cooperação do jornalismo-participativo (a expressão mais correcta a meu ver) com os media é inevitável e positiva. A verdade é que não há nenhuma estrutura mediática tradicional que consiga competir com as pessoas que estão, por exemplo, nos lugares dos desastres e das tragédias naturais, provocadas pelo terrorismo, etc. A ubiquidade dos cidadãos e a natureza imprevisível dos acontecimentos, que condiciona fortemente o processo de produção noticiosa, obrigando as empresas jornalísticas a tentar impor ordem no espaço e no tempo, conduzem e devem conduzir ao "citizen journalism".

Fontes:

Ciberjornalismo e Narrativa Hipermédia
Oh!MyNews

CNN Exchange
Atrium WordPress
No Icicom
J.D. Lasica
Ciberjornalismo
Digg
Rebecca Blood
Wikipedia
Jose Luis Orihuela
Jose Luis Orihuela @ JPN
Jose Luis Orihuela @ Diário Digital
The Citizen Journalism Debate

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Citizen Journalism - What Is It?

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Monday, October 02, 2006

Análise de um jornal digital português

O Diário digital tem a particularidade de ser um jornal que existe simplesmente em forma digital.

A nível de design, é um website bem organizado e com publicidade delimitada em certas zonas para não desviar a atenção do utilizador. Não é propriamente criativo, mas as cores (azul claro, branco e preto) conjugam-se na perfeição e dão-lhe um carácter sério, mas, ao mesmo tempo, de alguma maneira, informal, criando uma maior empatia com os cibernautas.

Quanto à usabilidade, os menus são acessíveis, sem flyouts, e, na parte inferior da main page, expõe as últimas notícias de cada secção (e sub-secções): mundo, política, sociedade, economia, desporto, cultura, multimédia e música. A acessibilidade é, então, facilitada. O utilizador tem, ainda, a possibilidade de pesquisar artigos antigos por temas. O DD apresenta também três canais distintos: o dinheirodigital, o discodigital e superelite, com várias sínteses de notícias que vão correndo nas caixas correspondentes.

Relativamente à multimedialidade, o Diário Digital é muito fraco. Não dispõe de vídeos, slideshows, audio slideshows, infografias digitais, entre outros. Visto ser um jornal apenas virtual, talvez devesse apostar mais nesta área. Fica-se, assim, por texto, hipertexto, imagens estáticas e aspectos relacionados com a interação entre o cibernauta e o website em questão.

Em relação à interactividade, já ganha mais pontos. Permite tornar a página na homepage do utilizador, por exemplo. É um website que aposta muito nas utilidades como: saber as previsões meteorológicas, farmácias disponíveis, bolsa, trânsito, programação televisiva, uma agenda do dia em várias áreas, e uma actualização diária dos Decretos e Portarias, ou seja, um diário da República. O cibernauta pode interagir com o DD e, deste modo, actualizar-se constantemente através de RSS feeds, SMS’s, WAP/PDA, Ticker Notícias (para o qual é preciso fazer o download), Newsletters, E-diário, Chat e Webmail. Dá a oportunidade para votar em temas que são regularmente actualizados através duma sondagem. Há, ainda, um espaço de crónica, numa secção designada: Opinião Digital. Cada notícia pode ser enviada por e-mail a um amigo ou imprimida, menos opções que na maioria dos jornais em plataforma digital. Por fim, há uma divisão de passatempos, que marca novamente uma grande interactividade. Tudo isto se relaciona com a multimedialidade, como já referi.

Quanto à hipertextualidade, existem links de notícias alojadas no próprio website relacionadas com a notícia em questão, mas, de resto, não se baseia muito no hipertexto. Os artigos são simplesmente textos e o hipertexto é separado, com ligações internas a outras notícias já abordadas pelo Diário Digital.

Concluindo, é uma plataforma digital com algumas vantagens e com informação acessível, mas que ainda tem de evoluir, mantendo-se a par das inovações multimédia que imperam no meio anárquico que é a Internet.

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