Kathleen Hanna - O Perfil de uma Riot Grrl

Kathleen Hanna foi a líder de Bikini Kill, uma banda feminina que nos anos 90 surpreendeu e revolucionou o punk com um som anárquico, violento, caótico e directo. Este grupo foi considerado, durante muito tempo, a imagem de marca do movimento Riot Grrl e deu voz a inúmeras mulheres.
Esta vocalista de referência nasceu no ano de 1960, a 12 de Novembro. É do signo escorpião, apresentando, assim, uma espécie de personalidade dupla. Durante a sua adolescência, Hanna costumava ir a concertos de punk e reggae, o que alimentou o seu interesse pela música.
Tudo começou quando no liceu fez um trabalho sobre sexismo e, rapidamente, a administração da escola retirou o seu projecto da exposição. Esta censura foi uma das grandes frustrações de Kathleen e incentivou-a a intervir de forma explícita através de uma forma artística: a música. Tornou-se, deste modo, activista, orientada por princípios de igualdade de sexos e justiça. Hanna resistiu, principalmente no início, a insultos, humilhações, ridicularizações que a tentavam desencorajar e que vinham de todas as direcções.
Ainda no princípio da sua carreira na música, colaborou em revistas feministas como “Revolution Girl Style Now” e “Riot Grrrl”, nas quais pouco participou por estar constantemente fora do país, em digressão. Inteligente, determinada, idealista, honesta e sincera, manteve-se sempre bem humorada apesar das adversidades da vida.
Kathleen Hanna afirma-se feminista, sem receios de mostrar como é, sem mudar a sua maneira de ser por causa da sociedade, e não se conforma com certos padrões sociais. Acima de tudo, é crítica e não tem qualquer problema em dar a sua própria opinião. Rompendo com preconceitos machistas, principalmente no mundo da música, Kathleen assume uma posição inovadora: aceita, assim, as diferenças entre cada pessoa, porque acha que ninguém deve ser igual a ninguém e impulsiona as mulheres a serem mais activistas. Nos concertos de Bikini Kill, os homens eram “convidados” a afastar-se do palco, enquanto as mulheres eram chamadas à frente, onde recebiam zines e letras das músicas (bastante interventivas), enquanto a banda destilava toda a sua energia. Davam também à audiência feminina a possibilidade de se apoderarem do microfone para discutir questões que afectavam as mulheres, como o abuso sexual. A banda Bikini Kill deu inúmeros concertos memoráveis. Por exemplo, em 1992 a banda fez uma excursão pela costa leste, voou até o Hawaii para o Dia Internacional da Mulher, deu vários espectáculos em Washington DC, incluindo alguns beneficentes a favor da Pro-Choice (organização que luta pela legalização do aborto), que coincidiram com uma grande marcha que decorria em Washington para lutar pela causa. Sem dúvida, foi um grupo que chocou com as normas comerciais da indústria musical, isto porque o seu intuito não era vender a sua imagem e som, mas sim passar uma mensagem feminista de fortalecimento num cenário dominado por homens. A música deste movimento denominado Riot Grrl transmite, ainda hoje, honra, respeito e união.
Fontes:
Labels: TEJ - 1º Ano

